Detritus Toxicus

terça-feira, outubro 10, 2006

O Ocidente de cócoras

Sérgio de Andrade, Jornalista

Que Bento XVI ande a tentar deitar água na fervura do extremismo islâmico ainda aceito que seja um acto diplomático, pois o Papa é chefe de um Estado, por minúsculo que seja.

Que a Ópera de Berlim retire Mozart do cartaz... - só se considerar que se tratou de uma medida preventiva tão idiota como as da segurança dos aeroportos, onde nos apreendem corta-unhas, pastas de Colgate e garrafinhas de Água do Luso.

Mas o que sucedeu em Valência (Espanha) já passa das marcas. Duas aldeias cortaram do programa dos festejos a destruição de gigantones representando Maomé, pois, alegaram, "tal como agora estão os ânimos, convém andar com pés de lã". Nunca ninguém ouviu falar de tais aldeias, o que não impede os seus habitantes de recear ser incluídos no mapa da vingança fundamentalista. Verifico que, tal como a gripe das aves nasceu no Extremo Oriente mas se vai aproximando cada vez mais da Europa, lançando-a no pânico, também a paranóia da retaliação muçulmana se vai aproximando cada vez mais do extremo ocidental europeu. Portugal talvez não faça mal em seguir o exemplo espanhol. Pelo sim, pelo não, tomemos algumas precauções. Dantes, no liceu, líamos "Os Lusíadas" expurgados do canto IX, pois aquelas indecências na Ilha dos Amores não podiam chegar aos olhos pudicos dos meninos e das meninas da Mocidade Portuguesa. Agora, censuremos, por exemplo, o canto I, onde Camões não hesitou em escrever este horror "a malina gente que segue o torpe Mahamede". Também será conveniente retirar do dicionário e proibir o uso de termos agressivos como "mata-mouros", "trabalhar como um mouro" e -- sobretudo este! -- "anda mouro na costa". E banir expressões vagamente literárias, como "perro de Mafoma!" ou "Pelas barbas do Profeta!".

Ficaremos assim "à la page" com o terror mórbido que parece estar a invadir o Ocidente, apenas porque o Islão tem um segmento de fanáticos capazes das maiores barbaridades.

Mas... Nos últimos cem anos, houve momentos em que a Europa viveu de joelhos. Mas em que também morreu de pé! Pelo que prefiro recusar a ideia de que, na actualidade, aceite pôr-se até de cócoras para que não a incomodem.

Sérgio de Andrade escreve no JN, semanalmente, às terças-feiras.

O Ocidente de cócoras

Sérgio de Andrade, Jornalista

Que Bento XVI ande a tentar deitar água na fervura do extremismo islâmico ainda aceito que seja um acto diplomático, pois o Papa é chefe de um Estado, por minúsculo que seja.

Que a Ópera de Berlim retire Mozart do cartaz... - só se considerar que se tratou de uma medida preventiva tão idiota como as da segurança dos aeroportos, onde nos apreendem corta-unhas, pastas de Colgate e garrafinhas de Água do Luso.

Mas o que sucedeu em Valência (Espanha) já passa das marcas. Duas aldeias cortaram do programa dos festejos a destruição de gigantones representando Maomé, pois, alegaram, "tal como agora estão os ânimos, convém andar com pés de lã". Nunca ninguém ouviu falar de tais aldeias, o que não impede os seus habitantes de recear ser incluídos no mapa da vingança fundamentalista. Verifico que, tal como a gripe das aves nasceu no Extremo Oriente mas se vai aproximando cada vez mais da Europa, lançando-a no pânico, também a paranóia da retaliação muçulmana se vai aproximando cada vez mais do extremo ocidental europeu. Portugal talvez não faça mal em seguir o exemplo espanhol. Pelo sim, pelo não, tomemos algumas precauções. Dantes, no liceu, líamos "Os Lusíadas" expurgados do canto IX, pois aquelas indecências na Ilha dos Amores não podiam chegar aos olhos pudicos dos meninos e das meninas da Mocidade Portuguesa. Agora, censuremos, por exemplo, o canto I, onde Camões não hesitou em escrever este horror "a malina gente que segue o torpe Mahamede". Também será conveniente retirar do dicionário e proibir o uso de termos agressivos como "mata-mouros", "trabalhar como um mouro" e -- sobretudo este! -- "anda mouro na costa". E banir expressões vagamente literárias, como "perro de Mafoma!" ou "Pelas barbas do Profeta!".

Ficaremos assim "à la page" com o terror mórbido que parece estar a invadir o Ocidente, apenas porque o Islão tem um segmento de fanáticos capazes das maiores barbaridades.

Mas... Nos últimos cem anos, houve momentos em que a Europa viveu de joelhos. Mas em que também morreu de pé! Pelo que prefiro recusar a ideia de que, na actualidade, aceite pôr-se até de cócoras para que não a incomodem.

Sérgio de Andrade escreve no JN, semanalmente, às terças-feiras.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Informação valiosa!

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp


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segunda-feira, outubro 02, 2006

Anti-americanismo primário (?)